Transtorno do comer compulsivo

Para que possamos caracterizar o “Comedor Compulsivo”, alguns critérios devem ser utilizados:

 

A. Episódios Repetidos de Ataque de Comer. O ataque de comer é caracterizado por:

–          (Comer num breve período de tempo (ex: num período de duas horas) uma quantidade de comida considerada definitivamente maior que a maioria das pessoas comeriam durante período de tempo similar e em circunstâncias similares)

–          Uma sensação de falta de controle durante os episódios, i e, um sentimento de que não pode parar de comer ou controlar o que ou o quanto se está comendo.

 

B. Durante a maioria dos episódios de Ataque de Comer pelo menos três (ou mais) dos seguintes indicadores devem estar presentes:

–          comer muito mais rápido que o usual

–          Comer até se sentir desconfortavelmente “cheio”.

–          Comer grandes quantidades de comida sem se sentir com fome

–          Comer sozinho, por se sentir constrangido com a quantidade do que está comendo

–          Sentir-se decepcionado consigo mesmo, deprimido ou culpado após a super ingestão.

 

  1. O ataque de comer provoca um marcante desconforto.
  1. Os episódios do ataque de comer ocorrem em média duas vezes por semana, durante seis meses.
  1. O ataque de comer está presente na Bulimia e no Comer Compulsivo. No segundo caso não estão presentes os episódios compensatórios (medicamentos, vomito, jejum, exercícios compensatórios)

 

Vários autores apontam para o fato de que, na enorme maioria dos tratamentos atuais para a obesidade, parece não haver uma preocupação com o diagnóstico de um tipo diferente de obesidade caracterizada por uma alteração compulsiva do comportamento alimentar. Como resultado os pacientes são tratados sem a utilização de uma orientação mais integrada. As pesquisas sugerem que, mais importantes do que dietas restritivas para o obeso com ataque de comer, são preferíveis as refeições com intervalos menores e mais regulares, para evitar períodos de jejum que podem detonar os ataques. Embora a Psicoterapia Comportamental e Cognitiva tenha sido bastante estudada no tratamento dos pacientes obesos com ataques de comer, praticamente nenhum paciente é submetido a este tipo de técnica terapêutica.  O tratamento, portanto, não deve estar baseado apenas numa dieta enfatizando a restrição calórica.

 

Porque a simples restrição calórica não funciona isoladamente?

O paciente compulsivo refere “urgência” em comer. Define a sensação como “irresistível” e “incontrolável”. Na realidade, não é movido pela fome, mas pela crescente ansiedade que obtém alívio provisório na comida. A insatisfação e a culpa retornam, reforçam de novo a ansiedade e levam a pessoa de volta ao prato de comida, num esquema independente de sentir fome ou saciedade. Evidentemente, enquanto esse mecanismo paralelo não for tratado, o ato de comer não será proporcional ao estímulo fisiológico da fome, mas a toda uma gama de emoções negativas das quais o paciente não tem consciência e que, desta forma, “são mais fortes do que ele” OU DO QUE SUA BOA INTENÇÃO PARA EMAGRECER.  Habitualmente , tais pacientes sabem o que fazer para emagrecer, mas  NÃO CONSEGUEM FAZER AQUILO QUE SABEM QUE DEVERIAM FAZER. Por conseqüência, qualquer dieta por si, por mais equilibrada, personalizada e saborosa, será auto- sabotada.