Transtorno bipolar do humor (Antiga “Psicose Maníaco Depressiva)

O Transtorno Bipolar dos Humor (TBH) se caracteriza pela alternância entre fases de mania (a conotação técnica é diferente da popular, como veremos) com episódios depressivos (vide artigo sobre depressão). Na clínica observa-se que o paciente pode apresentar várias crises de um tipo e poucas do outro. Depressão e mania aparecem alternadamente e, com mais raridade, de forma mista. Atinge 0,5% da população sendo a idade média de apresentam por volta de 30 anos. Mas pode ocorrer em crianças e idosos. O diagnóstico nem sempre é fácil, pois o quadro não se apresenta de maneira uniforme, podendo ocorrer episódios de um tipo e poucos ou um único de outro.

Na fase maníaca a pessoa está “acelerada”. Fala demais, muito rapidamente, passando de um assunto a outro, interrompendo a si mesmo. Fala alto, polemiza, discute e irrita-se com facilidade, especialmente se contrariado. Implica e desafia as pessoas. Pode apresentar uma aparente alegria, mostrar-se muito à vontade. Mas essa “alegria” pode subitamente terminar em explosões de raiva.

O pensamento é muito rápido, as idéias fluem e não são terminadas, atropelando uma às outras. A isso chamamos “fuga de idéias” e não deve ser confundido com “criatividade”, como dizem alguns portadores do TBH.

Há desiibição social excessiva com grande facilidade para contatos socias muitas vezes indevidos. A falta de crítica as expõe, muitas vezes, a situações vexatórias.

Freqüentemente ocorre excessiva “desnibição sexual”, tendendo a seduzir pessoas, a se oferecer sexualmente a pessoas que lhe interessam e que podem causar-lhes prejuízos devastadores. A conduta pode se tornar amoral, promiscua. A ausência de senso crítico agita seu comportamento sexual. Podem se interessar pelo (a) companheiro (a) de outro (a) ou fazerem propostas sexuais a desconhecidos. Abandonam maridos (esposas). Podem ter muitos parceiros num período curto de tempo. Comprometem todos os seus relacionamentos. Habitualmente não “gozam de boa fama na comunidade…”

Existem fantasias de grandiosidade. A pessoa se atribui competências que não tem, acha que “sabe tudo”, “que tudo pode”. Sente-se onisciente e onipotente, mesmo que não de seqüência a nada e sua produtividade seja zero. Essa suposta grandiosidade de que não cansam de falar os torna enfadonhos, após o primeiro contacto . Dificilmente concordam com a opinião dos demais e raramente aceitam conselhos ou opiniões. Não há consciência de sua condição doentia e a pessoa reage veementemente à proposta de tratamento.

O sono está prejudicado com freqüência e a pessoa sente-se bem com três horas de sono, por exemplo. A hiperatividade compromete seu relaxamento.

Podem gastar muito dinheiro comprando o que não precisam, fazendo doações a terceiros.Podem comprometer bens de família e se endividar de maneira perigosa.

As causas são desconhecidas. Mas sabe-se que é, dentre os transtornos psicopatológicos, dos mais determinados biologicamente e menos influenciáveis por fatores emocionais, sociais e ambientais de forma geral, embora os comprometa pesadamente. Pode ser desencadeado após episódios de stress, a predisposição é biológica.

Deve ser diferenciado de outros estados que podem ser causados por uso de substâncias (drogas estimulantes, anfetaminas, medicamentos para emagrecer mal prescritos, doenças neurológicas, etc).

O tratamento bastante dificultado na medida em que o paciente não aceita estar doente e reage à medicação. Na fase maníaca o tratamento é medicamentoso. Habitualmente são receitados medicamentos específicos combinados e só um psiquiatra experiente pode efetuar a devida prescrição, as associações, e os ajustes necessários.
“Produtos naturais” não têm qualquer efeito sobre o estado maníaco. Durante o tratamento qualquer alteração medicamentosa pode agravar o estado do paciente. Por isso é absolutamente necessário que haja comunicação freqüente com seu médico.

A psicoterapia poderá ser utilizada concomitantemente à medicação do controle, promovendo o reajustamento do paciente, seu re equilíbrio social, afetivo, familiar, profissional. NA FASE MANIACA NÃO DEVE SER UTILIZADA COMO ÚNICA FORMA DE TRATAMENTO! Qualquer pesicoterapeuta que receber um paciente nestas condições deverá encaminha-lo a um psiquiatra!

O prolongamento da fase maníaca poderá ser devastador para a vida da pessoa e de sua família.