Psicologia para não especialistas: fobias

Fobias são uma forma especial de medo que apresentam as seguintes características:

  • São reações desproporcionais ao perigo.
  • Não tem explicação razoável, lógica.
  • Não há controle voluntário.
  • Tendência a evitar a situação temida.
  • Na maioria dos casos ocorre prejuízo acentuado do funcionamento global da pessoa.

A fobia, então, é um medo irracional percebido pelo próprio individuo como exagerado e desproporcional, mas que, quando diante da situação temida, não consegue deixar de sentir. “É mais forte do que eu”, dizem as pessoas com algum tipo de fobia.

Diante de uma situação temida, o fóbico apresenta todos os sintomas físicos e psicológicos do medo real, só que é desencadeado por objetos ou situações inofensivas do ponto de vista de realidade exterior.

Os tipos de fobias são: agorafobia, fobia social ( descritas em outro tópico) e FOBIAS ESPECÍFICAS.

As fobias específicas são medos intensos relativos a situações específicas como animais, insetos, fenômenos da natureza, dentista e outros. A pessoa que tem fobia de aranhas pode ter uma reação semelhante a um ataque de pânico , de intensidade totalmente desproporcional ao perigo, se colocada diante de uma minúscula aranha. Muitas vezes reconhece que não há perigo, mas não consegue avaliar devidamente a situação quando com ela se defronta.

A pessoa que sofre de alguma forma de fobia é hiper vigilante! No exemplo anterior, o fóbico por aranhas é o primeiro a ver uma minúscula aranha num canto oposto de uma sala.
Não se sabe ao certo as origens ou “causas” das fobias. Haveria uma “predisposição filogenética”, na medida em que alguns comportamentos de evitação e fuga foram importantes na sobrevivência da espécie (animais, lugares altos ou fechados, predadores, escuridão, água etc). Outros trabalhos apontam para o fator associação. Os comportamentos que foram úteis em outras épocas a nível de sobrevivência seriam, em pessoas predispostas, ativadas por experiências associativas atuais. Existem trabalhos mostrando ,ainda, a aquisição destas fobias pela observação de alguém na situação temida, sentindo medo.

Os tipos mais freqüentes de fobias específicas são: Animais e insetos (cobras, ratos, cães, gatos), fenômenos atmosféricos (trovões, relâmpagos, ventanias), meios de transporte (avião, trem, metrô, elevador), visão de sangue ou feridas, dentistas, doenças, etc. Os temas podem evoluir de acordo com a cultura e com o momento. Entre os medos atuais, salienta-se o medo de AIDS, por exemplo, pela atualidade do tema.

As fobias habitualmente aparecem na infância ou no inicio da vida adulta, estendendo-se pela vida da pessoa, se não for feita nenhuma intervenção terapêutica, já que quem tem este tipo de problema evita a situação temida para fugir do desconforto da ansiedade. Como o trabalho terapêutico implica em exposição gradual ao objeto temido e, portanto, algum grau de ansiedade, a evitação perpetua o sofrimento.

Finalmente cabe observar que grande parte dos fóbicos tem um ganho secundário na manutenção desses medos, seja pela forma de atenção , benefícios ou de algum outro tipo, como se os sintomas fossem utilizados para a consecução de algum objetivo.

O tratamento das fobias específicas é psicoterápico. Porém, há que se compreender que a melhor psicoterapia é aquela que expõe gradualmente o paciente ao estimulo temido permitindo que a ansiedade apareça e seja trabalhada. Vencemos o medo enfrentando gradualmente esse medo. Psicoterapias meramente interpretativas não apresentam quaisquer resultados no tratamento das fobias.