Psicologia descomplicada: pânico

O que é Transtorno de Pânico ou “Síndrome do Pânico?”
A pessoa está numa situação de tranqüilidade. Em casa, vendo TV, lendo ou conversando com amigos.De repente “aquilo” VEM! Uma sensação horrível de terror, vindo aparentemente do nada, toma conta dela. O coração dispara, há sensação de sufocação, tontura, tremores, as pernas ficam bambas e ele acha que vai morrer, ter um ataque cardíaco, ficar louca ou perder o controle. Essa sensação horrível, uma das mais angustiantes narradas pelo ser humano, dura cerca dez minutos entre o inicio e o final. É o chamado ataque de pânico. Se esta pessoa apresentar um único ataque seguido de medo de ter outro ou se os ataques se repetirem ela desenvolve o Transtorno de Pânico.

Quais são as conseqüências do ataque de pânico?
Quem passou por uma crise tão assustadora, aparentemente sem causa, procura um “porque” para aquilo. Pode associar à situação ou circunstância em que teve a crise. Se a teve guiando o automóvel pode adquirir um medo irracional (chamado fobia) de dirigir carro. Passa a evitar para não sentir “aquilo” de novo.Só de pensar ou tentar guiar carro, dentro do nosso exemplo, pode ter outra crise, que “confirma” sua hipótese: “é guiando carro que aparece aquilo”.
É…Mas coisa ao para aí…O ataque de pânico verdadeiro, o de “dentro para fora”, é aleatório. VEM a qualquer momento e em qualquer lugar. E a pessoa pode ser surpreendida por outro episódio de terror na biblioteca ou no elevador, por exemplo. “Então… È em lugares fechados e guiando o carro”, pensa nossa vítima. E passa a fugir (evitar) mais um leque de situações. Progressivamente pode ir se confinando a ponto de não sair mais de casa. Adquiri “O MEDO DE SENTIR MEDO”.E a vida se torna um inferno. Demissões, perda de emprego, rompimento de relacionamentos, abandono de estudos, abuso de drogas e álcool pra “aliviar” a tensão. O MEDO TOMA CONTA DA VIDA DA PESSOA.

O que faz a pessoa que tem a tal “crise de pânico?”

Habitualmente corre em direção ao socorro daquilo que teve medo. Se tiver medo de ter um enfarte, corre ao Pronto Socorro. Mas…Lembra-se? A crise dura no máximo dez a vinte minutos. Quando é examinado o médico afirma “você não tem nada” ou “é nervoso”, pois os exames nada revelam. Aí aumenta a tensão. Aí a pessoa pensa “bom, então ele não quer me dizer ou porque o que eu tenho é muito grave e não tem cura”. E lá se vai nosso amigo de médico em médico.

Como é o tratamento do Pânico?
Sem tratamento o pânico é altamente incapacitante.No tratamento são utilizados medicamentos para a crise de pânico, habitualmente antidepressivo, acompanhado de Psicoterapia Comportamental e Cognitiva. Para as seqüelas do pânico, nos medos decorrentes, a medicação não atua. O tratamento de escolha é a psicoterapia comportamental e cognitiva. O mesmo se aplica ao trabalho necessário para reconduzir o paciente à sua vida normal.

Quais são as chances de recuperação no tratamento?
Apesar da gravidade dos sintomas, o pânico mostra bom prognóstico ao tratamento: cerca de 70 a 90% de recuperação. Mas o INMH (Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA) adverte que apenas um terço das pessoas que tem pânico recebem tratamento adequado.

Quais as conseqüências de pânico não tratado?
A pessoa pode ficar confinada à própria casa, incapacitada pelo medo. Pode perder o emprego ou ser demitida. Ocorre depressão, abuso de álcool e drogas, 14% a 20 % tentam suicídio. Os prejuízos são de ordem pessoal, profissional, social, podendo incapacitar a pessoa.