Por que modelos podem desenvolver transtornos alimentares?

A profissão de modelo é caracterizada por altos níveis de ansiedade. Entre as principais causas estão às mudanças devida a que uma profissional se submete. Muda de cidade, de estado, vem para a cidade grande, mora longe da família, com outras colegas, no inicio “onde cabe”, em alojamentos disponibilizados por suas agências. Deixa o grupo de amigas, a escola, os colegas e se engaja num meio profissional altamente competitivo. A tônica do trabalho é a imprevisibilidade. Tudo nesta profissão é imprevisível. Trabalhos conseguidos são cancelados, outros são agendados quando a menina não espera e o que “É” hoje, “não É” mais amanhã. Isso implica em altas doses de frustração e na necessidade de lidar com elas. Em seu dia a dia participam de testes, os chamados castings, onde serão avaliadas para determinado trabalho. Só que essa avaliação é arbitrária, subjetiva, sem nenhuma base racional. Dito de outra forma, um atleta é avaliado pelos números de seu desempenho. Na moda não! É um “serve” ou “não serve”, a mercê da boa vontade do cliente, nem sempre tão “boa” assim. No mesmo dia ouve que é alta demais, baixa demais, quem tem peito de mais ou de menos. Diga-se ainda, que muitos clientes não são tão educados… Muitas meninas sentem essa avaliação arbitrária como rejeição.
Outra exigência da profissão é a questão do tipo físico. Decretou-se que a medida do quadril de uma modelo não deve ultrapassar 90 cm… Por que? Eles também não sabem… Mas fazem de conta que sabem… Isso quer dizer uma magreza quase patológica, se a menina não for autenticamente assim… Como a absoluta maioria das mulheres não é (esse é um atributo que ocorre em apenas 0,5 % da população feminina do mundo), a grande maioria começa a fazer grandes sacrifícios para emagrecer. Em outras palavras, para aderir a um determinado “padrão” passam a praticar comportamentos de risco: dietas loucas, jejuns, remédios sem prescrição médica, drogas, laxantes, diuréticos e outros, visando o tal quadril 90.

Juntando a ansiedade, o stress, a tensão e essa busca indiscriminada do “corpo profissional” exigido pelos senhores estilistas, autênticos donos da verdade e acima do bem e do mal, a menina entra numa faixa de risco que poderá levá-la a um transtorno alimentar.