Perguntas sobre autoimagem

O que é auto-imagem?

É a visão que temos de nós mesmos, o “retrato mental” que temos de nós mesmos baseado em experiências passadas, vivências e estímulos presentes e expectativas futuras. Inclui a forma o tamanho, as proporções do nosso corpo, nossos sentimentos em relação a ele e suas partes segundo nossa avaliação.

Do que depende esta avaliação?

De nossas experiências passadas, histórico de vida, dos estímulos positivos e negativos que recebemos, dos padrões com os quais fomos confrontados, dos valores culturais vigentes, incluindo os estéticos, de NOSSAS EMOÇÔES E SENTIMENTOS. A formatação da auto-imagem integra informações visuais, percepção e interpretação de estímulos diversos, confronto com modelos ou padrões, mesclados com nossa experiência pessoal sobre nosso corpo.

Qual a importância de uma auto-imagem inadequada?

Diversos autores, entre os quais ADLER, discípulo de FREUD, apontam o corpo como a maior fonte de sentimentos de inferioridade na criança, que se vê rodeada de pessoas maiores e mais fortes que ela. As primeiras observações e experiências seriam fundamentais para o relacionamento com o próprio corpo no futuro. Muitas mulheres e homens atraentes nunca se libertaram de uma sensação de ”feiúra” que os faz agir como se fossem, efetivamente feios e rejeitados. A auto imagem indevidamente formada os faz atuar da forma pela qual se avaliam. Esta auto avaliação errônea, produz comportamentos distorcidos. Experimentam sensação de repugnância, feiúra corporal, inadequação. Mais importante do que ser ou estar, é preciso SENTIR-SE bonita e este é um dos tópicos mais trabalhados por mim, com modelos.

Como a Cultura, a mídia, a moda, interferem na formação da auto imagem?

Desde a boneca Barbie, presente na vida de 9 em cada 10 meninas e que, projetada em escala é inviável biologicamente falando, até as revistas de moda, desfiles, publicidade, novelas, cinema, fotografias etc, há supervalorização da magreza e do que a magreza pode fazer pela mulher, o que a torna cada vez mais longilínea. Todas as Misses de 1970 para cá tem IMC abaixo de 18. A Miss Suécia de 1951 tinha 1,71m de estatura, pesava 68,5 kg, correspondendo a um IMC de 23,4 que, embora normal, seria lamentado por qualquer mulher, estilista, publicitário, produtor de novela, fotógrafo, professor de educação física do nosso tempo, que a conclamariam a emagrecer. Já a Miss Suécia de 1980 tinha 1,75 m, pesava 49 kg e 16,05 de IMC! Minha querida Gisele Bündchen tem 1,79 m pesa 53 kg e IMC de 16,5. Mas aí está a questão: Gisele É NATURALMENTE ASSIM! SUA ESTRUTURA É ASSIM! GENÉTICAMENTE É “FEITA” DESTA FORMA! É uma exceção e NÃO REGRA GERAL! Como o campeão mundial dos 100m: É UMA EXCESSÃO! O absurdo é transformá-los em “padrão”.
A imensa maioria das heroínas da TV é excepcionalmente magra. Apenas 5 % estão acima do peso e em papéis jocosos ou caricatos. Assistimos de 400 a 600 comerciais/anúncios/propagandas/dia, todos com imagens femininas idealizadas, exageradamente magras, se tomadas como “padrão”.
Modelos exercem enorme influência sobre as adolescentes de forma geral e sobre a maneira que se sentem em relação ao próprio corpo. Vários estudos têm sido feito a respeito de como se sentem as adolescentes em relação ao próprio corpo comparando-se com modelos, influenciando-as a um emagrecimento antinatural e excessivo. Meninas que lêem freqüentemente revistas de moda têm de duas a três vezes mais chances de apelar para dietas restritivas a fim de perderem peso, mesmo aquelas que estão dentro de peso normal para a idade e a estrutura.
Desta forma, um padrão idealizado (e se é idealizado não é “normal” e, portanto, não é “padrão”) é passada em estímulos explícitos, encobertos e subliminares para as pessoas, especialmente para a mulher, que passa associar, como uma lei, sucesso pessoal, social, profissional, afetivo, enfim, a aceitação de modo geral, com imagens inviáveis de magreza, esquecendo-se do próprio biotipo e à própria estrutura física.

Que conseqüências, então, esta inadequação de auto-imagem poder acarretar na vida da pessoa? Que distúrbios psicopatológicos podem ser desencadeados ou aparecerem concomitantemente?

A insatisfação com o próprio corpo, via auto-imagem deturpada pode levar a um “distúrbio” de auto-imagem. A pessoa sente-se inadequada, pouco atraente, acha-se incapaz de ser aceita, sente-se constantemente rejeitada e pode partir para a “correção” do que avalia defeituoso em si própria.
Nos transtornos alimentares: há falha na percepção adequada do tamanho, proporção do corpo ou de partes, vistas como maiores, mais volumosos ou desproporcionais do que efetivamente são. A insatisfação com o próprio corpo pode estar vinculada ao todo ou a determinadas partes (abdômen, quadris, coxas) cuja percepção a pessoa recrimina. Muitas vezes, em função desta distorção a pessoa evita situações em que tenha de expor o corpo, como piscina, praia, relacionamentos íntimos etc. Há divergências se o transtorno de auto-imagem seria causa ou conseqüência da anorexia nervosa, mas há consenso quanto a seu papel na manutenção e mesmo na perpetuação do quadro, sendo que a pessoa continua se vendo “gorda” mesmo quando patologicamente magra e o emagrecimento não faz cessar a ânsia de perder peso, muito ao contrário. Embora menos comprometida do que na anorexia, a auto-imagem corporal está alterada na bulimia nervosa.
No transtorno dismórfico corporal: onde a pessoa enxerga um “defeito” físico em alguma parte do rosto ou do corpo, não constatável por outras pessoas ou mesmo por especialistas. Também aqui há evitação de situações onde o “defeito” seja constatável. È Como uma “feiúra” que só a pessoa constata, mas que a faz agir de acordo com a avaliação que faz do defeito, fugindo da convivência social, As tentativas de correção são sempre físicas, em clínicas estéticas, dermatológicas ou em cirurgiões plásticos, habitualmente seguidas de grande insatisfação, pois o “problema” nunca é corrigido.
Obesidade: freqüentemente a obesidade é acompanhada de alteração da auto-imagem, tanto mais séria quanto mais precocemente se instalou na vida da pessoa. Casos de emagrecimento de pessoas que foram gordas muito tempo habitualmente necessitam de correção deste “retrato mental”, pois a pessoa habitualmente continua se vendo gorda e corre risco de voltar ao padrão anterior.

Como é feita a correção da auto-imagem distorcida?

Quem chega a ter prejuízos desta monta precisa de tratamento especializado. Se não há consenso se é causa ou efeito dos transtornos mencionados, os especialistas concordam que, se não for tratado psicoterápicamente será fator mantenedor de quadros psicopatológicos graves. Sua presença não tratada, portanto, inviabilizará o tratamento da doença associada. A psicoterapia comportamental e cognitiva apresenta resultados satisfatórios no tratamento destes distúrbios. Além disso, freqüentemente vem associada a elevados índices de ansiedade e depressão.