O animal que “sabe” comer

A não ser o homem, os demais animais não “sabem comer”. Comem instintivamente desde suas origens, da mesma forma. Um cão, por exemplo, alimenta-se até a saciedade e proporcionalmente à atividade física, condição de tempo, etc. Quando é “poluído” pelo homem, que o seduz a comer mais lhe oferecendo guloseimas, seguramente comerá menos ou não comerá no dia seguinte! Instintivamente reduz a quantidade de alimento e mantém-se em equilíbrio.

E o homem? Com todo o conhecimento científico, com toda velocidade da informação e da comunicação, em plena era da tecnologia, e em oferta de orientação, deveríamos saber comer. DEVERÍAMOS, mas…não o fazemos! Ou…sabemos, mas não conseguimos!

Senão, vejamos: de um lado os índices de obesidade crescem mundialmente em todas as idades. Nos países industrializados os números são assustadores! E.U.A: 62% de pessoas acima do peso adequado! O excesso de comida (obesidade e suas conseqüências) mata duas vezes mais que a fome! Morrem anualmente 500.000 pessoas de fome, o dobro é vitimado pela gordura!

Do outro lado, crescem na mesma proporção, as doenças decorrentes da luta indiscriminada pelo emagrecimento. Atrás do “corpo ideal”, que preocupa 53% das meninas até 13 anos de idade e 76 % das jovens dos 18 anos em diante, crescem os índices de doenças tão graves e letais quanto a obesidade, como a anorexia (que mata em 20% dos casos) e a bulimia (que causa graves seqüelas físicas e emocionais). Sem contar a compulsão alimentar, que parece surgir na privação e na ansiedade dos “regimes” e que impedem o emagrecimento posteriormente.

Ou comemos demais ou de menos e…morremos nos dois casos…Comemos muito, engordamos, nos sentimos feios e ansiosos, procuramos qualquer solução “mágica” que nos emagreça, e…Caímos no risco do outro lado. O “homo sapiens” cria uma doença para “curar” outra!
Se 95% das pessoas que emagrecem voltam a engordar em um ano, se morremos por comer demais ou de menos, porque é tão difícil para o ser humano alimentar-se adequadamente?

A pergunta é complexa, mas o comportamento alimentar “normal” fica a mercê de estímulos outros que a fome e a saciedade, como no exemplo do nosso cãozinho. Alimentar-se não é mais uma reação a um estímulo interno desconfortável, porém saudável, que provocaria a ingestão do alimento afim de re promover o equilíbrio do organismo. Fatores outros como ansiedade, depressão, tristeza, ócio, impulsividade, rejeição, frustração, baixo controle de impulsos, auto-estima precária levam-nos direto ao prato de comida ou nos afastam dele.

Emagrecer não é um “hobbie” e nem “fazer mais uma dieta para perder algum tempo por algum tempo”. É algo muito mais complexo! É trazer o organismo e o PSIQUISMO a um estado de equilíbrio, que somente será possível se as emoções estiverem em ordem! Se a cabeça estiver apta a comandar o processo! ESTA É A TAREFA DA PSICOLOGIA NO EMAGRECIMENTO! Conseguir que tenhamos o equilíbrio para COMER quando TIVERMOS FOME e a NÃO COMER quando estivermos ANSIOSOS!