Consequências psicológicas do “regime”

Toda pessoa que necessita emagrecer gostaria de faze-lo “o quanto antes”. Pressões de mídia, busca de ideais estéticos, fuga à rejeição social e, menos freqüentemente, busca de saúde, mobilizam um imediatismo que as leva a dietas absolutamente radicais, desprovidos de base científica, apregoados por leigos,”bem ou mau intencionados, e que acabam se constituindo num perigoso boca a boca.
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Quem tem problemas com seu peso necessita reorientação nutricional para o resto da vida. A tentativa de “abreviar o processo” via redução drástica traz conseqüências físicas e psíquicas consideráveis.

Se não há um perfil psicológico definido para a obesidade, a população de obesos apresenta maior incidência de transtornos psicológicos do que a de não obesos. Ansiedade, pânico, fobia social, transtornos de personalidade, vulnerabilidade ao stress, impulsividade, COMPULSÃO ALIMENTAR e outros, especialmente depressão.

Dietas excessivamente restritas pode ativar quadros ansiosos pré-existentes ou gera-los, bem como episódios depressivos. O stress muitas vezes é reduzido via comida. Se a dieta for muito restritiva, proibitiva, tipo “tudo ou nada”, estará aberto um círculo vicioso: “regime” aumenta o stress que acaba com o “regime”.

É difícil generalizar se a ansiedade é primária (“causa”) ou secundária (“efeito”) , mas se encontra presente em 80% dos casos de obesidade e sobrepeso. O estado depressivo, em pessoas geneticamente predispostas, provoca aumento de peso, a ansiedade aumenta a “fome psíquica”, onde o alimento é utilizado para diminuir a tensão.

“Regime” tem curta duração. O excesso de proibições induz a frustrações e a comportamentos de oposição e de compensação (comer demais). Está aberto o caminho para a compulsão alimentar, desencadeada por ansiedade e privação. Além disso, a privação e a frustração decorrentes aumentam a vulnerabilidade a outros tipos de frustrações e conseqüentemente aos agressores psicológicos externos internos.

A culpa decorrente de “não conseguir” induz a ingerir alimentos em grande quantidade e a já solapada auto-estima, componente essencial dos transtornos alimentares e da obesidade, vai a zero.

Quem faz regime não tem vida social! Está em regime! E lá se vão outras fontes importantes de gratificação. Mais frustração, mais ansiedade e…mais comida que deixa de ser UM prazer para se tornar O PRAZER!

O efeito “yo yo” cronifica o processo até que um dia a vítima se dá por vencida e aceita passivamente a derrota. “Sou assim mesmo”, “é minha constituição”, não sem um imenso sofrimento físico, psíquico e social.

O tratamento da obesidade e sobrepeso requer planejamento e estratégias adequadas. Os pilares são reeducação alimentar, acompanhamento médico, atividade física e acompanhamento psicológico. Não há magia, mas um reaprendizado de todo um estilo de vida. Para mudar peso é necessário antes “mudar a cabeça”. Pessoas psicologicamente equilibradas conseguem aderir ao plano médico-nutricional. O tratamento psicológico indicado em obesidade é a Psicoterapia comportamental e cognitiva, amplamente testada nos centros de pesquisa de todo o mundo e eficaz no tratamento de transtornos alimentares e ansiedade.