Ciúmes

Mais do que uma “prova de amor”, o ciúme é um sentimento angustiante para quem sente e para quem recebe. Pode ser compreendido como uma reação de ansiedade relativa a uma ameaça de perda numa relação afetiva. Se esta ameaça é real o ciúme é considerado “normal”, procedente. Se a situação é avaliada erroneamente, se é sentida uma ameaça de perda onde ela não existe é considerado “anormal”.

No ciúme normal ou de preservação, a reação é momentânea e proporcional à situação real. Poe exemplo, num determinado momento uma namorada desperta a atenção de alguém e mostra certo interesse. Sinto-me ameaçado diante de uma situação de fato. Digo que estou enciumado. É uma reação momentânea e proporcional à situação real.
No ciúme patológico, de desconfiança, a pessoa tem a sensação permanente de ameaça. Está sempre desconfiada diante de qualquer situação . Todo e qualquer indício pode provocar suspeitas.SE alguém olhou (ou eu acho que olhou) para minha namorada É porque querem “paquera-la” e SE ela aceitou a corte ENTÃO passo a desconfiar que tem alguém , ENTÃO é por isso que se atrasou ontem… ENTÃO… e por aí vai… Movido pela dúvida, há a busca incessante e obsessiva da evidência. Parece que enquanto não é descoberta a prova da infidelidade o ciumento não tem paz. A avaliação das situações de ameaça é baseada em percepções seletivas, onde pesam muito mais os “indícios” favoráveis à suspeita e são minimizados os que a desmentem. As conclusões são radicais : SE chegou atrasada ENTÃO tem outra pessoa. Outras alternativas são minimizadas.

Finalmente há o ciúme delirante, próprio dos estados psicóticos, onde não há a suspeita mas sim a CERTEZA da traição.Na conclusão há total desprezo por todos os indícios contrários e só são levados em consideração os que, na ótica do ciumento, reiteram a traição.

As causas do ciúme exacerbado são complexas. Algumas pessoas desenvolvem uma personalidade insegura e tornam-se ansiosas, medrosas, tensas, com medo da perda e não confiantes em sua capacidade de manter uma relação. A auto estima está sempre diminuída e há o desenvolvimento de uma dependência simbiótica com a outra pessoa , que se torna condição de sobrevivência . A possibilidade de perda, remota que seja, constitui uma ameaça vital. Se uma pessoa vive em função de outra, perde-la, é perder-se a si própria. É uma relação doentia. Numa relação normal a presença do outro incorpora, acrescenta à vida da outra mas não é esta vida. Outros viveram o processo efetivo de traição e trazem o ciúme como seqüela em seus relacionamentos futuros. Finalmente o ciúme pode ser sintoma de quadros psicopatológicos como Transtorno paranóide de personalidade e na esquizofrenia paranóide.
O ciúme traz uma terrível sensação de sofrimento pode levar ao fim de relacionamentos e é freqüentemente causa de suicídios e homicídios. Muitas vezes a “profecia se auto-realiza”: por não agüentar o sofrimento da desconfiança permanente , sai da relação, não “por ter outra pessoa”, mas porque a relação torna-se asfixiante. Habitualmente o ciúme vem acompanhado de outros problemas emocionais. Abala a qualidade de vida como um todo e DEVE SER TRATADO PSICOTERAPICAMENTE.